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motivação no trabalho

Imagine se existisse uma fórmula para que você acordasse todos os dias ansioso e realmente motivado para ir trabalhar.

Tão motivado, que você iria querer trabalhar até no final de semana.

E inclusive nas horas vagas.

Para sua sorte, essa fórmula já existe e é exatamente o que eu vou compartilhar com você nesse post.

E você pode se perguntar:

Se realmente existisse, porque a maioria das empresas não usariam ela hoje?

Isso ocorre porque há um desencontro entre o que a ciência sabe e o que os negócios fazem.

Mas nesse post, eu juntei cada parte do quebra-cabeça.

E vou te contar o passo a passo para conseguir criar um ambiente perfeito para que você consiga estar sempre motivado.

E isso serve para qualquer atividade que você pretenda fazer.

Passo #1: Entenda o que é Motivação;

Motivação é um conjunto de impulsos que te leva a agir de certa maneira.

Simplificando:

São as razões pela qual você realiza determinada ação.

Definir o que verdadeiramente nos motiva, pode ser um grande desafio.

Afinal, o que queremos de fato?

O que dará significado ao nosso trabalho?

Objetivos materiais?

E se um dia atingirmos todos os nossos objetivos materiais, o que faríamos da vida?

Não é ao acaso que você vê pessoas aposentadas retornando ao trabalho.

E não é ao acaso que você vê atletas dedicando suas vidas a quebrar recordes.

Elas sentem a necessidade de fazerem algo que as dê significado e preencha o seu dia a dia.

Isso está conectado com a necessidade do ser humano de buscar a felicidade.

Daniel H. Pink, em seu livro “Motivação 3.0”, classifica a motivação em 3 tipos de impulsos:

  • Motivação 1.0: Motivação Biológica
  • Motivação 2.0: Motivação Extrínseca
  • Motivação 3.0: Motivação Intrínseca

A seguir, abordarei o papel de cada uma delas e como elas interagem entre si.

Assim, você entenderá como usá-las a seu favor.

Motivação Biológica

A Motivação Biológica é primeiro impulso conhecido que temos e está relacionado apenas a nossa sobrevivência.

Ela vem do fato de sentirmos a necessidade de comer para saciar a fome, de beber para saciar a sede e de ter relações sexuais pela gratificação sexual.

Assim, a busca por saciar esses impulsos é algo que explica a motivação das pessoas e animais a realizarem certas ações.

Olhe que curioso:

Se você já tentou treinar algum animal de estimação utilizando comida como recompensa…

…Saiba que você esteve aproveitando desse impulso.

Contudo, há grande problema:

Quando já temos nossas necessidades básicas atendidas, utilizar desse impulso para motivar alguém a trabalhar não trará mais efeito.

Afinal:

Já tentou treinar algum animal de estimação de barriga cheia oferecendo comida?

Você acabará perdendo o valor da sua moeda de troca.

E agora, Vinícius, o que fazer?

Não contente, o ser humano descobriu novos impulsos para solucionar esse problema, que te contarei a seguir.

Motivação Extrínseca

A Motivação Extrínseca é o segundo impulso que temos.

Ela tem como base a utilização de fatores externos como motivação.

Assim, para motivar as pessoas a trabalharem, passaram-se a utilizar de recompensas como uma moeda de troca.

Dentre as possibilidades, comumente vemos:

  • Bonificação financeira;
  • Folgas extras;
  • Brindes;
  • Reconhecimento individual;
  • Promoções.

Essas práticas, aparentemente muito desejadas e funcionais, vêm sendo utilizadas até hoje.

Mas espere aí.

Folgas extras?

Como você pode se dizer feliz fazendo algo…

…Em que a sua felicidade consiste em fazer menos disso?

Isso é loucura:

Imagine que você esteja fazendo uma maratona de videogame durante um final de semana…

…E no final de uma missão importante o jogo te recompense com a seguinte mensagem:

“Parabéns, você ganhou 24h de descanso antes da próxima missão!”?

Pois então… ¯\_(ツ)_/¯

Acredite, isso fica ainda pior:

As recompensas, muitas vezes, acabam não sendo o suficiente para moldar o comportamento das pessoas.

Nesse cenário, sem alternativas inteligentes, abre-se espaço para as punições.

Nesse caso, passa-se a tirar as coisas que as pessoas já conquistaram para as punirem por mal comportamento.

O resultado?:

Cria-se uma cultura “centralizada no medo”.

A consequência disso?:

As pessoas deixam de realizar as atividades pelo simples prazer que elas o forneciam…

…E passam a realizá-la com o foco de evitar as consequências ruins.

Assim, temos o que chamamos de “as cenouras e os chicotes”.

De um lado, querem te viciar com recompensas e elogios e, de outro, te obrigam a se manter dentro das rédeas ou você está fora.

No mundo em que vivemos, você pode achar esse tipo de motivação muito normal, funcional, e até impossível de viver sem utilizá-la.

Ela é tentadora.

Mas não se engane:

Ela possui uma série de efeitos colaterais, que podem ser até irreversíveis…

…E só é realmente funcional em casos específicos, que veremos mais seguir.

Nessa hora, você pode estar se perguntando:

“Como motivar as pessoas então?”

Ou

“Como se automotivar?”

Para isso, lhes apresento a Motivação Intrínseca, a seguir.

Motivação Intrínseca

Quando se trata de motivação, há uma defasagem entre aquilo que a ciência sabe e o que as empresas praticam.

Nosso atual sistema operacional, construído em torno de motivadores externos, tipo cenoura-e-chicote, não funciona.

E, em geral, nos prejudica.

Precisamos de um upgrade.

E a ciência já nos aponta o caminho.

Sua nova abordagem possui três elementos essenciais:

  • Autonomia: o desejo de dirigir nossa própria vida;
  • Excelência: a premência de se tornar cada vez melhor em algo relevante;
  • Propósito: o anseio de fazer o que fazemos em nome de algo superior a nós.

Você pode até não achar possível a implementação radical deles…

…Mas uma coisa é fato:

As empresas que os adotam são disparadas as que mais estão crescendo…

…E serão as únicas que sobreviverão no longo prazo.

Quer descobrir os segredos de cada um?

Confira comigo:

Autonomia

Segundo Deci e Ryan, a autonomia é a mais importante das três necessidades humanas.

Ela é uma grande crítica as ideias de gerência de pessoas.

Isso porque essa gerência, que busca o controle, parte das seguintes premissas:

#1. Para agir ou seguir adiante, precisamos de um empurrão.

Que sem recompensas ou punições ficaríamos parados, inertes, no mesmo lugar.

#2. Presume ainda que, uma vez em movimento, as pessoas precisam de direção.

Que sem um guia confiável e firme, elas ficariam à deriva.

Contudo, nossa natureza fundamental (nossa “situação padrão”), é sermos autônomos e autodirigidos.

Infelizmente, as circunstâncias (como as noções ultrapassadas de gerência) conspiram, em geral:

Para alterar nossa situação padrão de sermos ativos e envolvidos…

…para sermos condicionados a ser passivos e inertes.

E acabamos por aceitar esse novo padrão…

…Deixando de lado o que seria a nossa principal motivação.

As consequências disso são graves, e as abordarei mais a seguir.

Assim, se quisermos estimular a motivação intrínseca…

…E o nível elevado de desempenho que ela permite…

…Não podemos ignorar seu primeiro requisito:

A autonomia.

As pessoas precisam de autonomia em quatro fatores essenciais:

  • Tarefa: aquilo que fazem;
  • Técnica: como a fazem;
  • Tempo: quando o fazem;
  • Equipe: com quem o fazem.

Agora, atingir total autonomia nesses quatro pontos, é sim um grande desafio.

Mas antes de entrarmos no “como”, te recomendo primeiro entender o próximo elemento da motivação intrínseca a seguir.

Excelência

Conforme vimos, o oposto de autonomia é o controle.

Logo, elas conduzem a caminho diferentes.

Você sabe quais?

Enquanto o controle leva à conformidade…

…A autonomia conduz ao empenho.

E só o empenho nos leva à excelência:

O desejo de ser cada vez melhor em algo relevante.

A Excelência cumpre 3 leis:

  • É um estado mental: requer a aptidão para vermos nossas capacidades não como finitas, mas sempre passíveis de melhoria.
  • É dolorosa: exige esforço, determinação e prática deliberada.
  • É uma assíntota: é impossível alcançá-la definitivamente, o que a torna, a um só tempo, frustrante e sedutora.

“Procure você mesmo aquilo em que quer ser realmente bom, saiba que jamais se satisfará com o que conquistar e aceite que é assim mesmo.” – Robert B. Reith, ex-secretário de Estado americano para o Trabalho

Felizmente, com o avanço da tecnologia, os cargos vêm se tornando cada vez mais complexos, interessantes e autônomos.

E a complexidade de suas tarefas podem ser divididas em duas categorias:

  • Algorítmicas: Tarefas rotineiras, que seguem um conjunto de instruções estabelecidas por um determinado caminho até chegar a uma única conclusão.
  • Heurísticas: Tarefas não-rotineiras, nas quais se faz preciso testar oportunidades e chegar a soluções originais.

O trabalho de um caixa em uma mercearia é basicamente algorítmico.

E o mesmo vem sendo substituído por sistemas de autoatendimento, como as vending machine (máquinas automáticas de venda de produtos).

Já a criação de uma campanha publicitária é basicamente heurística.

Você tem que ser criativo para apresentar algo inédito.

Mas aqui está o X da questão:

As atividades algorítmicas, geralmente, possuem alto controle, que nos leva a conformidade…

…Além de serem pouco interessantes.

Enquanto que as atividades heurísticas, possuem mais autonomia, que nos leva ao empenho…

…E são mais interessantes.

E como o empenho que nos leva a Excelência, buscar por atividades heurísticas se faz mais coerente.

Por isso, as atividades algorítmicas vêm sendo cada vez mais automatizadas…

Para, então, podermos nos focar nas atividades mais relevantes:

As heurísticas.

Contudo, aqui está um grande segredo:

Há uma descoberta cientifica que nos mostra o melhor ambiente para alcançar a excelência (e uma vida mais feliz).

E muito provavelmente você não conheça…

…Já que há uma defasagem entre o que a ciência sabe e o que as empresas fazem.

Essa busca por excelência começa com o que o psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi denominou por “Estado de Fluxo”:

Um estado mental altamente focado, em que a pessoa está totalmente imersa no que está fazendo…

…Caracterizado por um sentimento de total envolvimento e sucesso no processo da atividade.

No fluxo, as pessoas vivem tão profundamente o momento e se sentem tão completamente no controle que sua noção de tempo, lugar e até de si mesmas se dissolve.

Ficam esquecidas de si, mergulhadas na função.

E isso é algo que eu vou abordar no Passo #4.

Antes, recomendo que você entenda o importante papel do 3º elemento, o propósito, para a motivação intrínseca:

Propósito

As primeiras duas pernas do tripé da pessoa intrinsicamente motivada, autonomia e excelência, são essenciais.

Porém, para o equilíbrio adequado, precisamos da terceira perna:

O Propósito – que provê o contexto para as duas companheiras.

Pessoas autônomas trabalhando pela excelência apresentam um desempenho de alto nível.

Mas aqui está o elemento X para o sucesso:

Aqueles que fazem em nome de um objetivo maior, podem alcançar ainda mais.

“Não é possível levarmos uma vida excelente de verdade sem nos sentirmos parte de algo maior e mais permanente do que nós mesmos.” – Mihaly Csikszentmihalyi

(Embora que, erroneamente, as empresas considerem isso como um acessório bonito, desde que não ocupe o lugar das coisas importantes).

Isso nos leva a uma tendência que há pouco tempo as organizações começaram a reconhecer:

O empenho remunerado está decaindo…

…E, em contraposição, o esforço não remunerado vem crescendo abruptamente.

Isso indica que o trabalho voluntário nos alimenta de uma forma que o trabalho remunerado não o faz.

O motivo?

A mola propulsora do lucro, por mais potente que seja, pode ser um incentivo insuficiente.

Contudo, aqui está a resposta:

Uma fonte igualmente poderosa…

…Que muitas vezes desconsideramos ou descartamos como irrealista:

A “Força Motriz do Propósito”, que se expressa de 3 formas:

  • Metas: que empreguem o lucro não como um objetivo final, mas como um meio, como um catalisador para atingir um propósito, que é o verdadeiro objetivo.
  • Palavras: que enfatizem mais do que o interesse próprio, que tenham o poder de despertas os corações humanos – que fazem os funcionários se referirem à empresa como “nós”, e não como “eles”.
  • Políticas: que permitem que as pessoas busquem propósitos à sua maneira. Que dê autonomia e controle para cada integrante sobre como a organização reverte algo à comunidade.

Aqui está o X da questão:

Enquanto a motivação extrínseca é centrada na motivação do lucro, a motivação intrínseca, não rejeita o lucro, mas enfatiza a maximização do propósito.

A motivação extrínseca leva as pessoas a trabalharem pensando apenas no depois, na recompensa.

Ou ainda, apenas para evitarem as punições.

Isso torna o trabalho entediante.

E faz com que você apenas deseje que acabe logo.

Sendo difícil de você manter um alto empenho ao longo prazo.

De modo contrário, na motivação intrínseca, o foco motivacional das pessoas está no presente.

Em desfrutar da execução de cada ação.

E a sensação de que isso está contribuindo para uma causa maior.

O que faz com que o tempo não passe…

…E que você deseje que não termine.

O lucro não tem que deixar de existir.

Mas ele vem como uma ferramenta.

Como uma alavanca para que seja possível chegar mais próximo do propósito da organização.

“O propósito de seus negócios tem que ser maior do que seus produtos”.

Entendido o que é motivação e seus 3 tipos de impulsos, recomendo agora que você entenda o que funciona e o que não funciona e seus porquês.

Assim, você evitará de cometer os principais erros, na qual o mercado ainda insiste de tentar, e se adiantará em saber o caminho certo para se manter sempre motivado.

Preparado?

Já deixo avisado:

O próximo caminho é de quebrar a cara.

Vamos lá!

Passo #2: Porque a Motivação Extrínseca NÃO Funciona

(Em breve).

Passo #3: Porque a Motivação Intrínseca Funciona

(Em breve).

Passo #4: Crie um Ambiente Intrinsecamente Motivado

(Em breve).